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Lição 2: O Deus Pai | CPAD | 1° Trimestre 2026

  • Foto do escritor: Pastor Ivo Costa
    Pastor Ivo Costa
  • há 27 minutos
  • 10 min de leitura

Texto Áureo

 “Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.(Mateus 11.27c).

 

Verdade Prática

Conhecemos a identidade, os atributos e a glória do Deus Pai por meio da revelação de Cristo e da ação do Espírito Santo.


Introdução


A doutrina da Trindade constitui um mistério revelado e essencial à fé cristã: um único Deus que subsiste eternamente em três Pessoas coeternas, consubstanciais e distintas — Pai, Filho e Espírito Santo. Essa verdade expressa a profundidade da natureza divina e revela que o Deus bíblico é perfeito em unidade e pleno em comunhão desde toda a eternidade.


Nesta lição, nosso foco estará na identidade, na revelação e na pessoa de Deus Pai. Ele é aquele de quem procede o Filho e o Espírito, a fonte eterna da divindade, Criador soberano, Redentor amoroso e Revelador fiel. Ao contemplarmos a pessoa do Pai, não apenas ampliamos nosso entendimento teológico, mas também aprofundamos nossa experiência espiritual, pois conhecer o Pai é entrar em relacionamento vivo com Ele por meio de Jesus Cristo.


Assim, estudar Deus Pai não é apenas um exercício doutrinário, mas um convite à comunhão. Pela fé, somos chamados a conhecê-lo, adorá-lo e viver em dependência daquele que é a origem de todas as coisas e o destino final da vida do crente.


Ponto 1. A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI


Tópico 1. O Pai é o único Deus verdadeiro


A revelação bíblica afirma de modo claro e consistente que Deus é único. No Livro de Deuteronômio encontramos a declaração central da fé israelita: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor”. Esse testemunho estabelece o fundamento do monoteísmo bíblico e mostra que o Deus revelado nas Escrituras não divide sua essência com nenhum outro. No Antigo Testamento, Ele se manifesta por meio de seus nomes, atributos e obras, revelando progressivamente quem é em sua santidade, poder e fidelidade.


No Novo Testamento, o Pai é apresentado explicitamente como Deus, sendo diversas vezes identificado com o título “Deus Pai”. Essa designação ressalta não apenas sua divindade, mas também seu relacionamento com a criação e com os redimidos. A Escritura frequentemente se refere a Deus como Pai para destacar seu papel como Criador, Sustentador e Senhor soberano de todas as coisas, como vemos tanto no Livro de Isaías quanto nas epístolas apostólicas.


O próprio Jesus Cristo dirigia-se a Deus chamando-o de Pai e ensinou seus discípulos a orar da mesma maneira: “Pai nosso, que estás nos céus”. Essa forma de oração revela que Deus não é apenas o Criador transcendente, mas também um Pai relacional, que convida seus filhos a se aproximarem dele com confiança. Assim, reconhecer o Pai como o único Deus verdadeiro não é somente uma afirmação teológica, mas o fundamento de um relacionamento vivo, pessoal e reverente com o Senhor.


Tópico 2. O Pai é a fonte da divindade


A fé cristã confessa que Deus Pai é o Ser Supremo, eterno e autoexistente, aquele que nunca teve começo e jamais terá fim. O Livro de Deuteronômio declara que Ele é o Deus eterno, e o testemunho das Escrituras afirma que possui vida em si mesmo, sendo a fonte de toda existência. Sua eternidade e imutabilidade são ressaltadas em diversas passagens bíblicas, que revelam um Deus que permanece o mesmo desde antes da fundação do mundo, sem variação ou mudança.


Como Criador soberano, o Pai trouxe à existência os céus, a terra e tudo o que neles há, como afirmam tanto o Livro de Isaías quanto o Atos dos Apóstolos. Ele não apenas criou, mas também sustenta toda a vida, sendo a origem e o mantenedor de tudo o que existe. Essa verdade revela que a criação não é autônoma, mas depende continuamente da vontade e do poder divinos.


Além disso, o Pai é revelado como o Deus e Pai de Jesus Cristo, o que destaca seu papel dentro da Trindade. Ele é reconhecido como a Primeira Pessoa divina, a fonte eterna da divindade, de quem o Filho é eternamente gerado e de quem o Espírito procede. Essa linguagem teológica não indica superioridade de essência, mas ordem relacional dentro da própria vida divina. Assim, afirmar que o Pai é a fonte da divindade é reconhecer que toda a realidade procede dEle e encontra nEle sua origem, sustentação e propósito eterno.


Tópico 3. O Pai age por meio do Filho e do Espírito


A paternidade é o papel distintivo da primeira Pessoa da Trindade. As Escrituras revelam que o Pai opera por meio do Filho e do Espírito Santo, demonstrando a perfeita unidade e cooperação entre as Pessoas divinas, conforme ensinam o Primeira Epístola aos Coríntios e a Epístola aos Efésios. Essa atuação conjunta não indica inferioridade entre eles, mas expressa a forma harmoniosa como Deus age, mantendo distinção pessoal e unidade essencial.


Na criação, por exemplo, o Livro dos Salmos declara que o Pai pronunciou a palavra criadora, enquanto o Evangelho de João ensina que todas as coisas foram feitas por meio do Filho. Assim, vemos o Pai como a fonte, o Filho como o agente e o Espírito como aquele que vivifica e sustenta a criação.


Na redenção, a mesma harmonia é evidente. A Epístola a Tito afirma que o plano salvador foi estabelecido desde a eternidade pelo Pai, e o próprio Jesus Cristo declarou ter consumado a obra que lhe foi confiada. Após sua ascensão, o Espírito Santo foi enviado para consolar, ensinar e guiar a Igreja, continuando a obra divina no coração dos crentes.


Essa cooperação perfeita foi resumida de forma clássica no Credo de Atanásio (século V), que afirma que nenhuma das Pessoas é antes ou depois, maior ou menor, mas que as três são coeternas e coiguais. Portanto, a ação do Pai por meio do Filho e do Espírito revela não apenas a ordem divina, mas a beleza da unidade trinitária em perfeita harmonia.


Ponto 2. O PAI REVELADO EM CRISTO


Tópico 1. O Pai se revela aos humildes


Jesus Cristo declarou uma verdade espiritual profunda registrada no Evangelho de Mateus: Deus ocultou certas realidades dos “sábios e instruídos” e as revelou aos “pequeninos” (Mt 11.25). Os termos gregos indicam, de um lado, aqueles que possuíam grande conhecimento intelectual e formação elevada, e de outro, pessoas consideradas cultas e instruídas. Essas expressões descrevem bem o perfil dos fariseus e escribas, que confiavam em sua erudição religiosa, mas permaneciam espiritualmente cegos.


A lição espiritual é clara: os mistérios do Reino não são compreendidos pela autossuficiência humana, mas pela humildade. O Livro de Provérbios adverte contra ser “sábio aos próprios olhos” (Pv 3.7), mostrando que o orgulho intelectual pode se tornar obstáculo para conhecer a Deus. Em contraste, o Pai se revela aos “pequeninos” — termo que aponta para aqueles que possuem simplicidade, dependência e confiança semelhantes às de uma criança.


O próprio Evangelho de Mateus também relata que Jesus colocou uma criança no meio dos discípulos e ensinou que quem não se tornar como ela não entrará no Reino (Mt 18.2-4). Assim, a revelação divina não é fruto apenas de capacidade intelectual, mas de disposição do coração. A humildade abre os olhos espirituais para conhecer o Pai, enquanto a soberba os fecha.


Tópico 2. O Pai se faz conhecer pelo Filho


Jesus Cristo ensinou que o verdadeiro conhecimento de Deus é mediado exclusivamente por Ele: “ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mateus 11.27). Essa declaração revela que a relação entre Pai e Filho é perfeita, absoluta e única, indicando que Deus não é uma força impessoal, mas um Ser pessoal e relacional, que se revela e se deixa conhecer.


As Escrituras mostram dois princípios centrais. Primeiro, o Pai é pessoal e soberano, digno de ser conhecido e adorado (Salmos 46.10; Isaías 46.9). Segundo, o acesso a esse conhecimento só é possível por meio do Filho, que é o único mediador entre Deus e a humanidade (João 14.6; 1 Timóteo 2.5). Não se trata apenas de um mensageiro divino, mas do próprio revelador perfeito da natureza, vontade e amor do Pai.


O Evangelho de João afirma que o Filho é quem revela plenamente Deus (João 1.18), e a Epístola aos Hebreus declara que Deus falou definitivamente por meio dele (Hebreus 1.1). Portanto, sem Cristo, qualquer tentativa de conhecer o Pai será incompleta, distorcida e sujeita ao erro e à idolatria, pois somente nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Colossenses 1.15; Colossenses 2.8,9).


Tópico 3. Quem vê o Filho vê o Pai


No diálogo com Filipe, Jesus Cristo revelou uma verdade profunda: “quem me vê a mim vê o Pai” (João 14.9). Essa afirmação confirma a doutrina da unidade divina, mostrando que o Filho é a manifestação perfeita do Pai. Como declara a Epístola aos Hebreus, Ele é “o resplendor da glória e a expressa imagem da sua pessoa” (Hebreus 1.3), evidenciando que sua natureza é idêntica à do Pai.


Quando Cristo afirma: “Eu e o Pai somos um” (João 10.30), não ensina que sejam a mesma Pessoa, mas que possuem a mesma essência divina. Suas obras, palavras e caráter expressam diretamente a ação do Pai (João 14.10-11), pois o Filho vive em perfeita comunhão e submissão à vontade divina (João 4.34; 5.30; 6.38-40; 8.28-29).


Assim, conhecer o Filho é experimentar a presença do Pai, pois onde Cristo é recebido e amado, ali o próprio Deus se manifesta e habita (João 14.21,23).


Ponto 3. A PESSOA DE DEUS PAI


Tópico 1. Atributos incomunicáveis do Pai.


Os atributos incomunicáveis são as perfeições divinas que pertencem somente a Deus e jamais podem ser transferidas à criatura. Diferentemente dos atributos comunicáveis (como amor, justiça e bondade, que o ser humano pode refletir em medida limitada), estes revelam aquilo que torna Deus absolutamente único, distinto e transcendente.

Eles não são apenas qualidades — são expressões da própria essência divina. Deus não apenas possui esses atributos; Ele é esses atributos em sua natureza.


1 — Autoexistência

A autoexistência ensina que Deus existe por si mesmo. Em Êxodo 3.14, quando declara: “EU SOU O QUE SOU”, Deus revela que sua existência não depende de causa externa. Em João 5.26, vemos que Ele tem vida em si mesmo.➡ Aplicação: tudo na criação depende de Deus, mas Deus não depende de nada.


2 — Eternidade

Deus não está preso ao tempo. O Salmo 90.2 afirma que Ele é Deus “de eternidade a eternidade”, e Isaías 57.15 declara que Ele habita na eternidade.➡ Aplicação: o tempo limita o homem, mas não limita Deus. Para Ele, passado, presente e futuro são plenamente conhecidos.


3 — Imutabilidade

Malaquias 3.6 declara: “Eu, o Senhor, não mudo.” Tiago 1.17 confirma que nele não há variação.➡ Aplicação: isso garante segurança à fé cristã. As promessas de Deus não mudam porque o caráter de Deus não muda.


4 — Onipotência

Jó 42.2 afirma que nenhum dos planos de Deus pode ser impedido, e Lucas 1.37 diz que para Deus nada é impossível.➡ Aplicação: a onipotência divina não é força irracional, mas poder perfeito, sempre guiado por sua santidade e sabedoria.


5 — Onisciência

O Salmo 139.1-6 mostra que Deus conhece pensamentos, palavras e intenções antes mesmo de existirem. Hebreus 4.13 declara que nada está oculto diante dele.➡ Aplicação: Deus conhece o íntimo do coração humano, o que nos chama à sinceridade e reverência.


6 — Onipresença

Salmo 139.7-10 ensina que não há lugar onde possamos fugir da presença divina. Jeremias 23.24 afirma que Deus enche céus e terra.➡ Aplicação: o crente nunca está sozinho; Deus está presente tanto nos momentos de prova quanto nos de alegria.


Tópico 2. Atributos comunicáveis do Pai.


Os atributos comunicáveis são as perfeições divinas que Deus, por graça, permite que suas criaturas reflitam em medida limitada. Eles não tornam o homem divino, mas demonstram que fomos criados à imagem e semelhança do Criador (Gênesis 1.26,27). Esses atributos revelam o caráter moral de Deus e constituem o padrão ético para a vida cristã.

Enquanto os atributos incomunicáveis destacam a transcendência divina, os comunicáveis demonstram a possibilidade de comunhão entre Deus e o ser humano.


1 — Santidade

Levítico 19.2 declara: “Santos sereis, porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.” Pedro reafirma esse chamado em 1 Pedro 1.15-16.Santidade significa separação do pecado e dedicação total a Deus.➡ Aplicação: a santidade não é opcional; é a marca de quem pertence ao Senhor.


2 — Amor

A Escritura afirma em 1 João 4.8 que Deus é amor. Esse amor não é apenas sentimento, mas ação sacrificial. Em Mateus 22.37-39, Jesus ensina que amar a Deus e ao próximo resume a lei.➡ Aplicação: quando amamos de forma verdadeira, refletimos o caráter do próprio Deus.


3 — Fidelidade

2 Timóteo 2.13 ensina que Deus permanece fiel mesmo quando o homem falha. Apocalipse 2.10 convoca o crente a ser fiel até a morte.➡ Aplicação: a fidelidade cristã não depende das circunstâncias, mas do compromisso com Deus.


4 — Bondade

O Salmo 100.5 afirma que o Senhor é bom e sua misericórdia dura para sempre. Gálatas 5.22 apresenta a bondade como fruto do Espírito.➡ Aplicação: a bondade é evidência visível de uma vida transformada.


Tópico 3. Os Nomes que Revelam o Pai


Na Bíblia, os nomes de Deus não são meros títulos identificativos; eles revelam aspectos profundos de sua natureza, caráter, obras e relacionamento com a humanidade. O Salmo 9.10 declara que aqueles que conhecem o nome do Senhor confiam nele, mostrando que conhecer o nome divino significa compreender quem Deus é.

Cada nome divino apresenta uma faceta da revelação progressiva de Deus na história da redenção.


1 — Elohim: O Deus Criador e Supremo

Em Gênesis 1.1, Deus é chamado Elohim, termo plural que, embora mantenha o monoteísmo afirmado em Deuteronômio 6.4, sugere plenitude de majestade e, teologicamente, aponta para a pluralidade de pessoas na Divindade (Gênesis 1.26).➡ Enfatiza: poder criador, majestade e soberania universal.


2 — El Shadday: O Todo-Poderoso

Revelado em Gênesis 17.1, este nome destaca Deus como aquele que possui todo poder e autoridade para cumprir suas promessas, como visto também em Gênesis 28.3 e 35.11.➡ Enfatiza: suficiência divina e capacidade absoluta de agir.


3 — Adonai e Kyrios: O Senhor Absoluto

Adonai (Sl 8.1) e seu equivalente grego Kyrios (At 2.36) expressam o domínio soberano de Deus. Isaías 6.1 mostra o Senhor assentado em seu trono, e Filipenses 2.11 declara que toda língua confessará que Jesus Cristo é Senhor.➡ Enfatiza: autoridade, governo e direito de domínio sobre toda a criação.


4 — YHWH: O Deus Eterno e Imutável

O tetragrama sagrado YHWH, revelado em Êxodo 3.14 como “Eu Sou o Que Sou”, aponta para a autoexistência, eternidade e imutabilidade divinas. Salmo 68.4 e Malaquias 3.6 reforçam essa verdade.➡ Enfatiza: existência eterna, fidelidade e constância absoluta.



Conclusão da Lição


A doutrina bíblica da Santíssima Trindade não é uma formulação teológica abstrata, mas a revelação viva do próprio Deus em relacionamento eterno: Pai, Filho e Espírito Santo. Ao longo desta lição, compreendemos que Deus Pai é verdadeiro, eterno, soberano e absolutamente digno de confiança. Ele é o Criador de todas as coisas, o planejador da redenção e o sustentador da existência.


A revelação plena do Pai se manifesta em Cristo, pois conhecer o Filho é conhecer o Pai, e essa comunhão constitui a essência da vida eterna, conforme ensinado em João 17.3. Assim, a teologia não deve apenas informar a mente, mas transformar o coração.


Fomos adotados como filhos por meio de Cristo (João 1.12; Romanos 8.15), e essa verdade não é apenas doutrina — é identidade espiritual. Quem entende quem é o Pai passa a viver como filho.

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